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O Ciclo das Águas

No Pantanal é a água que determina o ritmo da vida.

O CICLO DAS ÁGUAS

No Pantanal é a água que determina o ritmo da vida.
Todo ano, no período das cheias, a planície se inunda e as distâncias parecem ficar maiores.
Mas quando vem o tempo da seca a paisagem muda: a terra ressurge, cresce a grama e sobram alimentos para os pássaros.
Todo ano é assim.
Mas a cada ano o regime de águas do Pantanal é diferente.
A inundação muda em intensidade, duração e extensão.

A ESTAÇÃO DAS CHEIAS E A SECA
A água comanda a vida no Pantanal. Em nenhum outro lugar do Brasil a ação da água é tão contrastante.
A cheia e a seca mudam o comportamento dos animais, dos rios, da flora e do homem
pantaneiro. Se na seca o gado ocupa os campos e capinzais, na cheia é preciso conduzi-lo por longas distâncias para acomodá-lo em local seco. Cheia e seca são dois períodos absolutamente distintos: se na cheia as piranhas são predadoras temíveis, na seca são presas para muitas aves. Nas enchentes, a vegetação aquática domina todo o Pantanal. Na seca crescem as pastagens...
A década de 1970 foi um longo período seco, havia extensas áreas de pastagens disponíveis ao gado. Nesta época o rebanho bovino do Pantanal chegou a quase seis milhões de cabeças!

ENTENDENDO O FENÔMENO DAS ÁGUAS
A declividade da planície onde está situado o Pantanal é muito pequena: de 1 a 2 centímetros por quilômetro, no sentido norte-sul. E de 6 a 12 centímetros por quilômetro no sentido leste-oeste. É quase como uma mesa, de tão plana. Isso faz com que a velocidade das águas seja muito lenta. As águas das chuvas que caem em Cuiabá, por exemplo, levam cerca de dois meses para atingirem a cidade de Corumbá, que não fica longe. Com isso, nos períodos de chuva, os rios vão subindo lentamente e as águas se espalhando pela planície, que funciona como uma enorme esponja, segurando a água e a liberando vagarosamente.
As CORDILHEIRAS são as regiões mais altas, em torno das baías. Elas nunca se inundam e nelas crescem as matas ou cerradões.
Embora as vazantes e enchentes aconteçam regularmente, a intensidade com que ocorrem varia deano para ano. Há anos em que a estação seca é maior. Em outros, as chuvas são mais abundantes.O regime das águas influi em toda a vida do Pantanal.

O PODER DA INFORMAÇÃO
UMA FORMA DE SE DEFENDER DA FORÇA DAS ENCHENTES

A única forma de prever as enchentes com segurança e antecedência suficiente para permitir a remoção do gado das áreas baixas é a instalação de uma rede de coleta de dados climáticos em toda a bacia do Alto Paraguai, com transmissão da informação em tempo real. Isso irá permitir o cálculo do volume de água e estabelecer um serviço de alerta de enchentes.
Hoje, a Marinha do Brasil é responsável pela previsão. Ela instala réguas em alguns pontos da bacia – como Cuiabá, Cáceres,Corumbá, Ladário, Forte Coimbra e Porto Murtinho; através da coleta destes dados, consegue- se chegar a conclusões e fazer previsões. Em Ladário, por exemplo, a coleta de dados é feita diariamente há quase cem anos.

A MUDANÇA DA PAISAGEM
O regime das águas faz com que a paisagem do Pantanal se modifique...
A dinâmica de funcionamento do complexo de ecossistemas pantaneiros depende diretamente da água. Vejamos agora alguns destes ecossistemas, que estão presentes ou não no Pantanal, de acordo com o regime das águas:
POÇOS Em alguns lugares há a formação de poços mais profundos, que chegam a ter até quatro metros de profundidade. Esses poços não secam mesmo no período de secas.
CORIXOS São canais naturais que só recebem água durante as grandes cheias e ligam as baías entre si. Também são chamados de corixas, corixinhas ou corixões – de acordo com o seu tamanho. Os corixos ajudam a escoar as águas das lagoas, que vão em direção aos rios. Em épocas de grandes chuvas isto se inverte: as águas saem dos rios e vão para as lagoas.
BAÍAS São lagoas de água doce. Rasas, geralmente têm apenas dois metros de profundidade. E isso, nas partes mais profundas! As baías mais conhecidas são as de Cáceres, Mandioré, Gaiva, Chacororé. As baías abrigam inúmeras espécies de peixes, aves, répteis, anfíbios e mamíferos. Podem ser piranhas e tuviras, jacarés, capivaras, o tuiuiú, o cafezinho e a anhuma.
SALINAS São lagoas de água salobra. Elas exibem o espelho d’água circundado por areia branca e carandás. Quando as águas baixam, são circundadas por areias brancas assemelhando-se a praias. Nas salinas, a maior parte da vegetação é submersa. Mas existem exceções, como um tipo de capim muito procurado pelo gado e outros animais herbívoros. As águas das salinas são ricas em larvas de insetos, algas e pequenos crustáceos. São os alimentos prediletos de certas aves. Há, inclusive, uma espécie de maçarico que migra do Canadá, fugindo do seu inverno rigoroso, atraída por esse tipo de alimentação.
As baías e salinas são geralmente circundadas por áreas mais elevadas, as “cordilheiras”. Estas cordilheiras se caracterizam por serem os ambientes onde a água da enchente nunca chega. Nelas se desenvolve uma vegetação arbórea, florestal, constituindo as matas ou cerradões. As áreas de campo aberto no Pantanal são a indicação de que há permanência de água por um período relativamente longo, acima de três meses.



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