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Aspectos Gerais

RELEVO

FORMAÇÃO GEOLÓGICA DO PANTANAL

A formação do Pantanal iniciou-se em torno de sessenta milhões de anos atrás. Nesta época, nosso planeta já tinha definido muitos de seus contornos atuais. A América do Sul, que um dia formou um único continente com a África, a Austrália, a Antártica e a Índia, já tinha se separado. O que ainda não havia se formado era a cordilheira dos Andes, o que ocorreu a partir desta época.
Com o levantamento dos Andes, ocorreram falhas, fraturas e o afundamento da região hoje ocupada pelo Pantanal.
O afundamento do solo na região fez deslocar blocos sob a planície e levantar a parte sul, próxima ao planalto de Bodoquena. O rio Paraguai, que banhava a região, encontrando o morro que se formou impedindo seu escoamento para o sul, rumo ao oceano, foi represado, formando um grande lago.
Ao mesmo tempo em que a água se acumulava no lago formado pelo represamento, iam também se depositando sedimentos resultantes da erosão dos planaltos circundantes, até que o rio rompeu essa barragem e seguiu seu caminho para o sul, em direção ao Chaco, estabelecendo o que viria a ser o leito atual do rio Paraguai.

A PLANÍCIE PANTANEIRA CONTINUA EM FORMAÇÃO

Os rios, afluentes do Paraguai, com nascentes nos planaltos ao redor, foram responsáveis pelo preenchimento da enorme depressão, acumulando um pacote sedimentar de algumas dezenas de metros. Na década de 1970, a Petrobras, ao efetuar perfurações para pesquisa de petróleo, encontrou camadas de sedimentos* de até 420m de profundidade.
A planície pantaneira é uma planície em formação, pois o movimento de terras continua. Mas isso não gera problemas imediatos. O processo é extremamente lento, em escala geológica (milhões de anos), havendo tempo suficiente para toda a vida da região ir se adaptando.
*SEDIMENTO- Qualquer substância depositada, pela ação da gravidade,na água ou no ar. Em geologia são os materiais que ficam depositados tanto no continente quanto no fundo dos oceanos.
A planície pantaneira tem baixíssima declividade,– de 6 a 12 centímetros por quilômetro no sentido leste-oeste e de 1 a 2 cm/km no sentido norte-sul –, com altitudes aproximadas de 80 a 150m, com relevo muito uniforme. No entanto, na região de Corumbá, encontram-se elevações acima de 200m, chegando alguns picos a mais de mil metros de altura. Estas são as áreas mais altas. São remanescentes dos maciços existentes antes do início da formação da planície. Também alguns remanescentes podem ser observados aflorando à superfície dentro da planície, alcançando até 200m de altura. Por exemplo, em frente à cidade de
Corumbá é possível observar o morro do Sargento, com estas características e, no Parque Nacional do Pantanal, observa-se o morro do Caracará, a serra do Amolar e a morraria da Ínsua.

OS SOLOS

Os solos do Pantanal são muito mais arenosos que barrentos e estão submetidos à ação da água em boa parte do ano. Daí serem quimicamente pobres, já que são solos intensivamente lavados, tendo seus nutrientes dissolvidos e transportados pelas águas.
Os solos do Pantanal suportam uma vegetação do tipo savana, predominando as espécies dos cerrados.
Encontram-se cerca de duzentas espécies de gramíneas, as quais, juntamente com algumas
leguminosas e outras espécies forrageiras, sustentam inúmeras espécies herbívoras – como, por exemplo, capivaras, cervo-do-pantanal, veado-campeiro e os bovinos.
No entanto, essas forrageiras refletem a qualidade do solo, demonstrando baixa qualidade nutritiva. Em conseqüência, o Pantanal
não tem capacidade de suportar pesada carga animal, isto é, não tem condições de alimentar um
número alto de animais por área.
INFLUÊNCIA DOS SOLOS NAS ATIVIDADES ECONÔMICAS DO PANTANAL
Algumas áreas próximas às serras ou morrarias apresentam solos de excelente
qualidade, com pH alto, básico, e com altos teores de cálcio, potássio,
magnésio e fósforo. O fósforo, por exemplo, é um elemento importantíssimo
para o metabolismo das plantas. Estas áreas servem à pastagem e também ao
plantio de árvores frutíferas, como caju, manga, coco-da-baía, abacate, laranja,
goiaba, graviola.
Os solos que recebem o efeito das enchentes anuais são enriquecidos pelos
nutrientes que são transportados pelas águas. Mas as enchentes causam problemas
também. Durante boa parte do ano a presença da água nos solos
impede o plantio e o pastoreio do gado.



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